Professar a fé na sobriedade

Padre Paulo Ricardo Nós estamos no Ano da Fé . Existe uma ligação íntima entre a fé e a sobriedade. O próprio símbolo da Pastoral da Sobriedade nos lembra isto, o símbolo é esta chama da fé, onde está escrito ‘Sede sóbrios e vigiai’.

Algumas pessoas tem uma ideia de que a fé é ilusão. Não sei se vocês já notaram que o conceito de fé é algo que exige o nosso esforço, é como andar de bicicleta. Se você não fizer um esforço para pedalar você perde o equilíbrio. Então tem gente que acha que a fé é uma ilusão, justamente por causa de esforço que fazemos para crer.

A fé crava nossos pés no chão da realidade. Se você tem fé você enxerga o mundo real, se você não tem fé vê o mundo de ilusão. Estar sóbrio é estar no mundo real. Quando você entra no mundo das drogas você sai deste mundo real. É por isso que Nosso Senhor usou estes termos juntos: ‘Sede sóbrios e vigiai’, ou seja vamos ficar atentos, acordados.

A fé é um esforço mas não um esforço de ‘auto-engano’, ela é um esforço que crava nossos pés no chão. Enquanto o mundo que não crê dorme, está delirando, sonhando sonhos virtuais na internet, sonhos de uma sexualidade desregrada, nós estamos nos esforçando para sair desta ilusão, para nos manter acordados, mas para ter fé você precisa se esforçar.

Quando você perde a fé, quando você tira os seus pés do chão, só acontece desastre para você e sua família. A fé é um dom de Deus, é uma virtude teologal, mas não quer dizer que não precise de esforço, porque Deus quer te dar a fé, Ele quer dar esta chama da vigilância, mas se esta chama está meia apagada, só uma mecha que fumega, você precisa fazer o esforço para reavivar esta chama.

A pastoral da sobriedade tem uma mensagem para a Igreja inteira. Toda Igreja tem que sentar para ouvir o que a Pastoral da Sobriedade aprendeu durante todos estes anos, de que a droga é uma ilusão. Assim aprendemos que todo pecado tem o mesmo carácter das drogas. Todo o pecado, como as drogas, é uma promessa falsa de felicidade. E a Pastoral da Sobriedade aprendeu a ver o carácter mentiroso e ilusório das drogas.

Por que uma pessoa toma drogas? Porque ela procura a felicidade, mas a procura no lugar mais extranho, mais inóspito que existe que é o prazer. Não que o prazer seja algo ruim, mas precisamos entender que o prazer é algo do corpo e a felicidade é uma realidade da alma. A pessoa só vai se libertar deste mal das drogas quando ela aprender que a felicidade nada tem a ver com o prazer. A pessoa precisa aprender que até no sofrimento, no sacrifício, na negação dos seus desejos, que a se começa a encontrar a felicidade.

“A Igreja tem muito o que aprender com a Pastoral da Sobriedade”
Foto: Andréa Moraes

Todo pecado é como as drogas e, por isso, todos nós precisamos aprender com a Pastoral da Sobriedade desmascarar esta falsa promessa de felicidade.

No confessionário eu pergunto para um jovem: ‘meu filho, por que você fez isso? ‘Eu não sei padre”, responde o jovem. E eu digo: ‘eu sei porque você fez isso, porque no fundo você quer ser feliz’. Por que a pessoa adultéra? Porque a pessoa acha que a outra pessoa pode lhe dar felicidade. Por que um ladrão rouba? Porque ele acha que a felicidade está no dinheiro que ele não tem. Porque uma pessoa mata? Porque ele acha que aquela pessoa está impedindo a sua felicidade. Veja que todo pecado tem o caráter de droga, ou seja, uma falsa promessa de felicidade. Só a sobriedade e a fé pode nos livrar desta ilusão, porque ela nos crava no mundo real, nos livra da falsa promessa de felicidade.

Nós precisamos entrar nesta dinâmica da lucidez. E como a gente pode fazer isso? Como podemos aumentar a nossa fé? Tudo começa aprendendo a distinguir algumas palavras em nós. A palavra de Deus ou a palavra do inimigo da qual São Pedro nos alertou ‘Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (I São Pedro 5,8) É preciso aprender a distinguir a falsa promessa do demônio e a Palavra da Verdade que nos liberta. Eva, quando caiu na mentira de satanás criou uma ilusão, ela não viu o fruto, ela acreditou na sua ilusão. Deus é que nos crava na realidade, quando disse “a verdade vos libertará!” Mas ele não disse, ‘olha, a verdade vai te dar prazer, ela sempre vai te agradar’.

Se você acha que esta vida aqui é um ‘balneário’, se você acha que a vida é ‘férias em Cancum’ você foi enganado. A palavra da fé nos diz que Deus nos colocou neste mundo para amar, mas ser feliz de verdade nós vamos ser no céu. Quem quer viver o amor perfeito e maravilhoso aqui nesta terra vai cair na sedução do inimigo.

O amor que iremos viver no céu se chama glória, mas aqui nesta terra o nome do amor se chama cruz. Se você nunca sofreu por alguém você nunca amou. Imagina se Jesus, quando caiu pela 3ª vez carregando a sua cruz em direção ao calvário, se ele tivesse desistido? O amor jamais desiste!

Deus não desistiu de você porque fez uma aliança de sangue para salvar a humanidade. Não desista de você, não desista de seus filhos, de seus irmãos, de sua família.

Transcrição e adaptação: Daniel Machado (@dancancaonova)

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Padre Paulo Ricardo

Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT)
www.padrepauloricardo.org
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